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Mostrando postagens de março, 2024

HISTÓRIA SEM PÉ NEM CABEÇA

  Zig envelhecia. Enquanto penteava os cabelos cheios de cãs e lembrava da época que estudou literatura com o professor Fiodor. Um russo que veio parar na Bahia ninguém sabe como e dava aulas gratuitas de literatura, história e filosofia, numa sala meio acalorada no Pelourinho. Lá nos fins dos anos oitenta. Reparava as linhas do rosto, pareciam ferrovias que desciam, subiam e atravessavam afundando mais e mais os sulcos. Masturbou-se imaginando Cátia enquanto tomava banho. A loira que morava ao lado de seios pontudos. Namorava um rapaz que havia sofrido um acidente e perdeu o movimento do braço esquerdo. Era um bobão, quando bebia arrumava confusão. Empunhava o braço direito e rodopiava bêbado ao redor dele mesmo. Cátia sempre o acalmava, mas já estava farta. Quando via Zig sentado na varanda sozinho, de manhã bem cedinho, quase todos os dias, ela o cumprimentava de lingerie curta com um sorriso largo. Ele pensava” ah se eu pudesse pegar essa loura com riso de puta” e lascava Cát...