O MAÇO DE CIGARROS
E nquanto o sargento Glober bebia, de um gole só, a dose de conhaque servida pelo garçom, André, do bar no Largo dos Paranhos, o apelidado Gordo, cliente contumaz, que sempre andava com cabelo preso num rabo de cavalo e levava consigo um maço de cigarros tipo boxe recheado de baseados, observava-o da sua mesa, curioso e, ao mesmo tempo, hesitante. Escamoteava, por trás de uma vitrine, uma estufa de salgados, que ficava em cima do balcão. A viatura estava parada ao lado do estabelecimento, virada no sentido para sair da Rua Cosme de Farias. Um dos policiais estava dentro do carro; os outros dois, conversando do lado de fora, encostados no paralamas, um deles fumando nervosamente. Aquela dose era a terceira do sargento durante a ronda que faziam. Gordo mirava e ria cinicamente, arquitetava um flagrante no policial que bebia em serviço. Manuseou o telefone celular cheio de aplicativos, procurando um ângulo para registrar a fotografia. A estufa de salgados, logo à frente, difi...