QUANDO O UNIVERSO GOZA
Enquanto Trovão, um pinche de meia idade, subia por trás do sofá para surpreendê-la alegremente e para seu deleite, Sofia conversava sobre encontros com Antoninho. A ideia era verem-se para conversar, muito provavelmente confortáveis numa cama de casal em algum interior, ou na beira de algum extenso litoral praieiro. Há anos só se viam pela tela dos aparelhos através de um aplicativo. E estavam distantes um do outro mais de mil quilômetros. Antoninho numa cidade da Bahia, Sofia no interior de Minas Gerais. E assim, desafiando a relatividade do espaço conquistaram-se. No entanto, Sofia era dona de um pudor quase hermético desde cedo na infância que transbordava religião. Nunca houve quem a pegasse, ou jamais se deixou pegar. Ela própria não definiu essa situação. Antoninho imaginava e as vezes dizia a ela com a cara de jacarandá que lhe era iminente que queria mesmo era comê-la. Parecia Macabéa, mas era mais esperta. Ainda assim, Sofia pensava livremente que talvez não fosse n...