ABAIXO DO VENTRE

 

 

... e agora Ruan Bocage vai viver com essas indagações pífias sobre a vida   como um filósofo de padaria que deseja pão farofa  nessa larica de maconha palha   homem velho   Aja de acordo aos seus sessenta anos   Sim  com sessenta anos batia punheta todos os dias  Imaginava meio mundo de mulheres fogosas que tive nunca tivera como Sílvia por exemplo  Imaginava a gigantesca  Mariana Imaginava a negra Lúcia que fazia serviços de limpeza pelas casas só não fazia na minha   Lúcia tinha seios duros e bicudos parecia sempre excitada   Imaginava Helena  Helena  Helena   muxoxo   E Sílvia que conheci na internet  Nem tinha tantos atrativos como Helena mas fiquei com um tesão da porra por aquela mulher    Morava nos cambau de Goiás  Era triste  Sem nenhum traço de safadeza  Mas sensual  e não acreditava que exalava escondida em seu pudor e timidez uma sensualidade de mulher  Somente um cara como eu bem humorado apesar das agruras que me meti era capaz de perceber a tristeza e a beleza sensual em Sílvia  E um dia depois de eu falar tanta putaria para ela no aplicativo de conversa no telefone para seduzi-la ela resolveu contar  como um desabafo à beira do constrangimento pudico  E falou baixinho sem saber se queria ou não que eu ouvisse  Antes de iniciar a narrativa ouvi um chiado bem baixinho  se estivéssemos na chamada de vídeo eu certamente veria como ela chiava   Mesmo assim disse-lhe que eu esporrava gala na mesa do computador   ela falou como se estivesse com a língua presa que ficava molhadinha  sim   então  numa fala totalmente fora dos padrões linguísticos dela própria  ainda com o mesmo volume de voz   quase um cochicho  Um sopro que o vento fez questão de correr nos meus ouvidos que ninguém havia chupado a bocetinha dela   Não pronunciou a palavra bocetinha isso foi por minha conta  Ela disse meu sexo  Ela era bem branquinha sem marcas pelo corpo   Depois de um tempo, muito tempo, quando nos chamávamos pelo vídeo do telefone consegui depois de muita putaria  ela deu um sinal que gostaria que a fodesse  Mostrava meu pau duro ela virava o rosto de vergonha  não tocava siririca com medo do pecado do Senhor  Acho que disse milhares de vezes a ela o quão salutar é uma punheta ou uma siririca  Tinha vezes que ela odiava ou fazia de conta que odiava e continuava ouvindo  ela gostava das minhas saliências  Um dia contou que tinha uma filha  fruto de uma só foda  Repare  Disse também que foi o padre Lúcio Caronte que a orientou desde pequenina não sabia precisar que idade ela estava para que passasse longe dos rapazes  Obedeceu ao pároco e não deixou ninguém passar-lhe as mãos  Quando completou trinta e oito anos o padre Caronte que já havia percebido há tempos  a aflição de Sílvia por uma pica dura  fez o que planejou anos  Envergado cheio de veias grosso de tanta punheta que o religioso batia penetrou em Sílvia sem satisfação  Padre escroto, nem uma chupada deu na moça para melar as paredes vaginais  Comeu Sílvia no seco e sumiu no mundo  Ela cedeu sem saber se devia  Lúcio Caronte disse-lhe durante o coito entre chiadas e metidas que devia deixar dentro dela a semente da vida  Quase traumatizava a mulher que felizmente me encontrou enquanto dava zapiadas nas redes sociais  Fiquei doido para foder Sílvia, mas não fodi  O pudor que adquiriu de Lúcio Caronte era tão grande que ela não conseguia se tocar  Poucas vezes teve coragem de me dizer que ficava molhada quando eu lhe dizia safadezas  mas não tinha coragem de agir a siririca  achava que o Senhor estava de olho  Como eu ia fazer para ir ao interior de Goiás  lá na casa da porra  e sem praia  Eu rato do Porto da Barra à Praia do Flamengo sem falar na Ribeira e na praia do meio ali pelo Cantagalo  não tinha como me desbundar para os matos de Goiás  E se conseguisse ir era capaz de voltar no zero a zero  Prometia canalhamente a Sílvia, principalmente quando estava doidão de pó e cerveja malte que ia buscá-la  ela ria e balançava a cabeça  Eu não entendia se era de desejo  vontade e tesão ou se ela percebia minha canalhice e achava engraçado  Sei lá  Pedia novamente para ela mostrar os peitos quando estávamos no vídeo  Ela não mostrava  mas dava lances e aquilo me deixava excitado  E eu tome-lhe punheta  E suor  Não fodia ninguém há anos  Isso era uma desgraça  Um dia me disseram que podia ser praga de mulher rejeitada

 

Mirian foi o maior erro da minha vida   Apesar de bonita não tinha cultura nem leitura  Ela até que tentou um tempo buscar palavras mas não tinha no cabedal isso era uma merda   Pouca inteligência  pouco encanto  As pessoas deveriam ter algo para dizer que não fosse a vida do outro  Esse hiato lexical e semântico  entre eu e Mirian me fodia  E também não sabia chupar meu pau direito  ainda tinha isso  Nem me fazia suar  Quando nos conhecemos Mirian já estava viúva de  Euclides segundo ela só ocupava a casa era ela que pagava o aluguel   Euclides cheirava o pó da facção que era para vender e misturava com fermento ou farinha de trigo   Que cara filho da puta   Segundo ela   Não acreditei muito  mas acho que era verdade   Cheirador de pó não fode  Principalmente velho  Euclides quebrou a boca  Os soldados da facção criminosa invadiram a casa e o pegaram nu dormindo na cama e Mirian numa rede ao lado da janela   Ficou irreconhecível sem rosto  Mirian que me contou essa tragédia

Pelo meu lado ainda não estava viúvo   E estava muito para baixo   Abatido na tristeza da perda inevitável   Havia perdido Helena perdido não  Acho que concluímos que fomos felizes e o nosso tempo estava chegando só para boas lembranças  Eu em Salvador e Helena em Campinas   a conheci também na internet  num grupo de escritores e leitores   Alguns escritores são boçais para caralho  Mafiosos   formam panelinhas  Tudo puta  Mas de qualquer forma aprende-se algumas coisas com esses caras e foi nessa turma que conheci   Helena  trocamos e-mails uns dois meses antes de nosso primeiro encontro  Helena me presentou com uma foto dela muito sexy e sensual num café na Alemanha   Ela estava linda  Helena como Sílvia gostava da putaria e  ao contrário da goiana alimentava e começamos a nos masturbar dizendo toda a putaria que o pecado da luxúria permite pelo telefone    Ela morava em Campinas e fazia ponte aérea para Salvador  Eu também fazia a ponte invertida   Tivemos uns sentimentos fortes e estranhos nesses tempos  foram quase dois anos  Helena era rica e apaixonada por literatura filosofia e sexo  Beijava de língua deliciosamente  Tudo que um homem como eu precisava para se sentir feliz  Doido e embaraçado no sistema  Só mesmo a mulher  Uma Mulher  Era tudo que eu sonhava  Fazer literatura   ao menos aprender o que seria literatura e tentar escrever  nem que fosse para me sentir criador  Isso é felicidade   Foder  me apaixonar  amar  viver ler o mundo  E escrever ao lado de uma mulher como aquela   A porra que fosse, com uma mulher   E que eu não tinha vivido e não conhecia aquela força estranha   Helena me beijou no aeroporto Viracopos com vontade de chupar   E nos chupamos por inteiro todo o tempo   Era dona de um barco que ficava na marina de Paraty no Rio de Janeiro  Fomos até a marina e escoamos para as praias do Nordeste  Um dia  se ligue na loucura da mulher  louquíssima  no Rio Grande do Norte  nos hospedamos numa pousada  Demos uma volta e bebemos muito discutindo falando e pensando Lou Andreas-Salomé  Henry Miller  Bukowiski e o que havia de sexo dentro daqueles caras e como faziam literatura   Certo momento entrando na madrugada  Helena quis ir para a pousada  estávamos realmente muito bêbados  eu dirigi estava melhor  fui a quarenta quilômetros  Helena vomitou pela janela do carona   acelerei para sessenta quilômetros ligado na pista e fomos de imediato  Chegamos e Helena passou direto sem parar na recepção  eu que fui pegar a chave do quarto   ela entrou no banheiro e eu fiquei zapeando a televisão   Vinte minutos depois   Helena saiu nua do banheiro e me perguntou se eu a amava   Eu disse que sim  Não sabia se realmente a amava mas era alguma coisa sim   Sei lá   Ela disse   então você faz o que eu pedir   Eu respondi  claro

− Quero que coma meu cu melado de bosta

Trocamos de quarto O fedor de bosta invadiu até a parte do corredor onde estávamos  No dia seguinte mortos de vergonha  esperamos todos os hóspedes tomarem café para aparecermos de cara lavada

De fato   não tínhamos como ficar juntos e viver para sempre felizes  Pertencíamos a mundos diferentes e longe  Helena era rica, estava enfeitiçada por mim   E eu louco por ela   Eu marronzinho e ela branca alva como um vestido de noiva  Cabeça mais cara do que a minha  Amiguinhos ricos como ela ao redor  Alguns  muitos querendo comê-la   ou comê-la novamente  Helena gostava de putaria  E era suculenta   Ela sabia   Eu ainda dava aulas  e vivia com pouco dinheiro  praticamente duro como meu pau ficava por Helena   Havia lançado um livro de contos  estava começando a me achar escritor   Tinha estilo  mas ainda claudicava na estrutura  tinha muitas dúvidas e achava que escritor era para ter dúvida   Eu pensava assim   Mas talvez  não sei Insegurança   Estava aprendendo literatura  entendi que aos poucos ia pegar o manejo de escrever um pouco melhor   E Helena me ajudou nisso   Outra coisa era o abismo financeiro que havia entre nós    De alguma forma eu sabia que aquela felicidade não ia durar muito   E veio na cabeça   parece que há um canal quando se está muito doido de pó e maconha   vieram umas palavras   acho que foi assim    jamais terás novamente o gosto da antropofagia  foi foda ficar faminto por Helena e não tê-la mais   O mundo é assim mesmo  tem tudo  Até felicidade efêmera  os gregos sabiam disso    Sofri com a perda de Helena    Ela saiu como chegou    Livre    Eu também  mas fiquei meses numa lerdeza   parecia maconha que não prestava   Bastou esse tempo feliz   Fiquei com a impressão que eu não havia me entregado totalmente   Depois não sei   Aprendi com aquilo  Um negócio forte diferente e estranho que rapidamente brilhou e apagou

O mais difícil foi não ter com quem conversar  e em seguida não foder   a foda era uma consequência do que conversávamos    Isso doía    Um horror  pode crer   Voltei a conviver e respirar a comunidade  Bairro de pobre e de maioria preta  Era dever falar da vida dos outros  Numa das oportunidades quase bebia vinho em garrafa de plástico   Veja que desgraça   Assim uns quatro meses depois conheci Mirian viúva de um traficante quebrão de droga   Ficou sem o rosto com um tiro de 12 na altura do ouvido  Imagem horrível de ver  palavras de Mirian  Eu carente  ela carente começamos a andar juntos e cheirar pó  fumar maconha e beber cerveja  Quase nunca falávamos assunto qualquer um para o outro  A não ser vida alheia  E comecei a não mais me incomodar em ouvir e falar sobre a vida alheia  Mas acabei conectando algo com o povão  Se as pessoas não falarem das outras  bem ou mal não haveria vida  Não haveria mundo  E não poderíamos atestar o valor da palavra   Por exemplo

 

Num domingo de carnaval  Mirian estava no meu quarto olhando o Vale do Bonocô  Fiquei também na janela  De repente  no olhamos e nos beijamos  Carência é uma desgraça   Aquilo foi uma burrice sem tamanho  Aí fodemos novamente   outra  cavalice humana   Não tenho certeza  mas acho que nenhum animal sai fodendo as fêmeas por foder   foi horrível   O beijo que já não tinha sido prazeroso deu o sinal que ali não havia conexão  Mesmo assim fodemos  gozei sem graça e parece que ela também  Eu pensando em Helena e ela em não sei o que   Esperávamos o avião das drogas   Nesse dia  depois que o avião chegou com pó e maconha  fodemos mais duas vezes  antes de eu cheirar  claro Sempre sem a sensação neural-pélvica de um gozo   Não sei  talvez ao menos saudável  não havia faísca, só neutro   saí de Helena para Mirian era agir como Sísifo    O comando do mundo não era nosso   Era uma frase que repetia com Helena enquanto discutíamos filosofia   O tempo não considera estilo e estrutura O tempo era um dos donos do mundo   Foda-se e já fui  Mirian veio e se instalou na minha casa  Fodeu  ou fudeu como dizem e escrevem na comunidade   Depois de um tempo, só fodi Mirian, muito mal fodida  Depois nem ela, eu fodia mais  Foram seis anos sem boceta  Até a foda do natal passado com a gordinha de peitões duros   Fodi a gordinha Vanda uns dois meses  Era para ter durado um pouco mais   Ela  burra como nem um jegue  estragou nossa brincadeira  não se conteve  não sei de que e contou para amiguinha de igreja que sentava com gosto no meu pau grande, duro e grosso quando ia fazer a faxina da casa de Mirian  Claro se não me engano  não durou um dia  Lá estava o sopro de alguém no ouvido dá que se diz minha esposa e que eu já não fodia há anos  Bastaram três palavras: grande, duro e grosso  Eu não liguei, na hora fumava um morrão  Mas Vanda se fodeu  Foi praticamente escorraçada da igreja e do bairro também Não se tem notícia  Não havia outro jeito  voltei à punheta

 

E quando foi diagnosticado o cid 10 com episódios psicóticos de Mirian  aí fodeu tudo   A caridade para uma brevíssima metida em Mirian escafedeu-se   Cheguei a pensar nisso algumas vezes   me esforcei mas  sem tesão não há solução   cada dia mais debilitada   A complicação era que não tinha para onde mandar Mirian   Pedi dezenas de vezes que voltasse a morar com os irmãos  Ela não ligava para minha fala   E instalou-se em meu espaço   Como enxotá-la  Descobriu a doença  parou de se drogar de beber e entrou numa nave evangélica   Mas descobri mais tarde que foi melhor assim   Procurei Vanda de fevereiro a setembro   não achei  que diabos aquela mulher tinha que revelar segredo de foda    se fodeu na comunidade   e me fodeu  fiquei sem foder novamente  Vanda fodia muito   tudo em nome do Senhor   Ela dizia isso enquanto fodíamos   achava estranho mas não perguntei se o Senhor estava realmente de acordo  Calado e fodendo Vanda    peitão duro da porra   amassava  chupava o bico  lambia o bico   fodia-lhe de quatro   massageava lhe o cu com o dedão de qualquer mão  fodia-lhe de ladinho   ela adorava sentar em meu pau subir descer e rebolar no talo    fodia Vanda  fodia Vanda  fodia Vanda

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