OS SEIOS DE MARISE
OS
SEIOS DE MARISE
1
Enquanto
a chuva caía, no início de outono, Crizan pensava em Jamile. Nos últimos dois
anos, eles dormiram juntos e se agarravam durante a madrugada quando os pés se
batiam na cama. Uma insônia o tomou depois da separação. Às vezes, se
masturbava entre os lençóis, enquanto ouvia Easy Skanking. E depois, dançava
como se estivesse num coito dancing. Achava que estava sozinho, talvez, sim. Desde
a juventude que o homem era para passear entre todas as mulheres.
−Fodida
afirmação. Era o que Jamile dizia.
−É
claro, todos se amando. Mas só eu poderia te amar, Jamile.
−Você
que pensa.
A
cama, em frente ao espelho do armário, ela olhava o umbigo fundo onde Crizan
adorava colocar o dedo indicador.
−Era
o melhor umbigo do mundo. Crizan dizia. Jamile esquecida de tudo e envolta na
querença e fissura, alisava a pele de veludo, segundo ela, que envolvia as mãos
de Crizan.
A
chuva havia parado. Ele já não tinha nas mãos os seios fartos de aureolas
grossas e bicudas que apertava com vontade e lambia nas madrugadas de qualquer
temperatura. Jamile leu um conto de Dickens, o próprio Crizan havia
recomendado, há tempos. Contos curtos de assassinato. E olhou o Trópico de
Câncer na estante. Chupava gelo para atenuar o calor, apesar da chuva grossa,
sem também conseguir dormir. Talvez pensasse no próprio umbigo e deixou
escorregar uma pedrinha que ao chegar ao buraquinho da barriga tornou-se uma
gota fria. Riu e chiou, cheia de imaginação. Crizan finalmente levantou da cama
solitária, já com o sol da aurora. Andou pela casa. Suava. Olhou pela varanda,
era umas seis e meia da manhã. Viu Marise. Bermuda de nylon da educação física
da escola e camiseta. Olhou os seios duros da menina que balaçavam. E pensou
novamente em Jamile. Sabia que não ia dormir até o fim da tarde do dia
seguinte. Muita cocaína. E se o bebê de Nira nascesse naqueles instantes. Tinha
que estar esperto ao lado da afilhada. Era para ter nascido. Mas não nasceu.
Ainda não nasceu. Ia encontrar Jamile no hospital. Provavelmente se falariam,
claro. Eram educados e civilizados. Crizan tinha dúvidas. As merdas que ele
pensava. Achava que Jamile era como todos. Ninguém ouvia nada de ninguém. Por
isso ela não estava na cama com ele. Jamile achava que Crizan errava porque
queria. Errava muito, segundo ela. Errava. O gelo derreteu no umbigo e imaginou
que seria invadida mais embaixo por Crizan. Havia amanhecido, o sol já
esquentava. Marise passou algumas vezes embaixo de sua varanda. Cuidava das
hortaliças. Da varanda, Crizan muito doido, mirava os seios pontudos de Marise.
E o bebê de Nira não nasceu. Nasceu, sim. Crizan deixava o telefone no módulo
mudo e nunca ouvia quem o chamava. Soube da vinda de Marco Aurélio somente às
dez horas da manhã. Tinha dúvidas se o pequeno Marco Aurélio de Nira ia
suportar às vicissitudes da vida. Sentir-se um imperador romano. Talvez. Era
bosta, mas...
Seio
interessante de Marise.
Jamile
andava apressada para o hospital Santo Amaro, ali pela avenida Centenário. De
repente, enquanto estudava História da Bahia, se perguntou se havia cem anos
aquela parte da cidade. Alguma personagem criada de sua imaginação respondeu
que não tinha cem anos aquela avenida, no máximo setenta e alguns poucos anos.
O tempo mastiga como pompoarismo.
Jamile
soube da vinda de Marco Aurélio primeiro do que Crizan. Andava da cozinha para
a varanda, doidão com o nariz escorrendo e mirando os seios pontiagudos de
Marise. Um carro parou ao seu lado. Era a professora Miralva, uma adiposa, bem
branca de olhos esverdeados. De uns tempos para cá, apresentava-se com
semblante entre triste e cansado. Tomava remédios para dormir. Mas não era só
isso. A professora de Gramática pensava nas diferenças. Quer dizer, ela própria
não sabia ser. Algo talvez abstrato demais. Qualquer pensamento serve. Descobriu
que os dois filhos que saíam da adolescência não eram varões. Dois gays muito
assumidos e decididos. Miralva ofereceu carona a Jamile e chorou a decepção da
diferença. A outra condoeu-se, mas dignou-se a representar os rapazes.
Disse-lhe que o ser humano era estranho desde que começou a pensar, ela achava
isso. Não tinha certeza. Mas pensava como Freud, tudo vem do sexo. Qualquer
tipo de sexo. Também não sabia se sexo tinha tipo, mas foi o que lhe veio à
mente para dirimir o choro de uma mãe. De nada adiantou. Miralva gostava de
homens com facilidades de ereção. Para ela, homens deviam gostar de mulheres. E
mulheres arderem de desejos pelos falos. Jamile contrapôs que os rapazes muito
provavelmente tinham facilidades de ereção e ardiam de desejos... Pelos falos
também. E deu de ombros para que a amiga não percebesse. A professora de
Gramática disse que Freud não considerou o prazer somente originário dos órgãos
genitais. Jamile pensava nos órgãos de Crizan. A mãe dos gays parou de chorar
quando Jamile desceu em frente ao hospital Santo Amaro. A distância de Crizan não
diminuiu o amor que Jamile nutria por Nira. Disse um dia ao homem que gostaria
de ter batizado Nira juntamente com ele. Obteve como resposta um muxoxo e com
desdém Crizan disse-lhe que aquela parafernália católica, ou evangélica, ou
outra religação, não passava de balela que intimidava o ser humano. Não passava
de mais uma peça medíocre. Deus não tinha nada a ver com quem nascia ou deixava
de nascer para receber água na cabeça. Podia, sim, adiantar um resfriado no
inocente que chorava nos braços de adultos idiotas. Mas ele batizou Nira.
Parece que muito a contragosto, pois nem ficou para o sarapatel que foi servido
logo após a mediocridade, segundo Crizan. Na época havia começado um namoro com
Suellen, uma morena que estudou com ele no segundo ano. Crizan sempre foi
tímido inicialmente, não sabia como abordar uma moça para fins sexuais. Era o
que talvez pensasse. Ouvia os colegas depois do futebol dizer como pegou uma,
como agarrou a outra. De que forma correu as mãos entre as pernas daquela. E
até como uma delas estremeceu o que jogava no gol passeava a língua na vulva da
estremecida. Mas ele não sabia como fazer para chegar a esse final. No entanto,
anos depois com Jamile soube que nenhuma mulher se estremece somente enquanto a
língua passeia pela vulva. Não? Não. Então era mentira daquele goleiro filho da
puta. E Suellen havia fingido. A timidez corou o rosto dele diante de Jamile.
Mas parece que ela não notou, ao menos a mudança de cor no rosto cheio de
receio e insegurança que desabou sobre ele. Jamile riu cinicamente sem o
encarar. Disse a ele que nem todo homem faz uma mulher estremecer, na verdade,
a mulher é quem decide. Crizan teve vontade de sair correndo.
2
Há
dois dias, Marise de vestido de algodão plantava hortaliça num canteiro. Crizan
saiu de casa. Ia comprar cerveja. Marise estava em frente a porta do rapaz, ele
olhou curioso para ver o que fazia a menina, se aproximou. Viu de lance os
seios pontiagudos de auréolas marrons. Seios duros. Tudo leva a crer que ela
notou que dava o lance, mas não se importou muito. Crizan não seguiu, inventou
de orientar a garota e ficou mirando excitado os seios. Enquanto Marise
acompanhava de soslaio as orientações e o olhar do homem. Crizan imaginou se
ela vestia algo embaixo. E como aqueles seios eram tão bicudos e lindos.
Marise
era filha adotada de Binha, prima de Crizan, também mãe carnal de Lucas e Cida.
Moravam todos - menos Cida, casada com Juvenal - no mesmo terreno que Dona Didi, mãe de Crizan,
administrava com mãos de ferro. Não raro, provavelmente até os vizinhos ouviam
os arroubos da genitora de Lucas sobre ser dona de todo aquele terreno que não
passava de 15 metros de frente por 40 de fundo. Mas era o castelo de areia da
velha e ninguém se atrevia fazer nada por ali. Nem Crizan. Uma vez plantou um
pé de biribiri, movido pela informação que o fruto normalizava o açúcar e a
pressão arterial do corpo. A árvore cresceu, começou a dar frutos. Dona Didi,
juntou-se ao vizinho evangélico Feio (realmente deram-lhe esse nome pífio –
diziam que era italiano−, porra de italiano). Feio, que era evangélico e
ordinário, bebia no bar de Índio e desatava a falar mal da vizinhança.
Juntou-se a dona Didi− logo ela em quem o diabetes bate mais de 400 e a pressão
arterial já chegou a 22 por 13− e cortaram a árvore num gesto de puro egoísmo,
estupidez e ignorância total. Alegaram que o mosquito da dengue, chikungunya e
adjacentes faziam morada na árvore. Aquele elemento feio como o diabo de
chinelos− junto com a senhora sua mãe Didi− provocavam a ira da desgraça que predispunha
a morte para Feio. E o desprezo entupido de asco para Dona Didi. Tudo isso no
âmago de Crizan. No entanto, a velha avarenta soube fazer três casas de
relativo tamanho naquele espaço. Na casa da frente de dois pavimentos, moravam
Didi, a prima Binha, mãe adotiva de Marise, e a própria Marise. No casa do meio
Lucas e a mulher gorda com as pernas arqueadas, Chamavam-na Tetê, e uma criança
de sete anos, Naomi, filha do casal estranho, uma menininha estrábica que
buscava brincadeiras com Marise. Se a criação a presenteou com o olho torto foi
para enxergar pouco. Não adiantou, a menina via tudo. Além do olho torto,
falava pelos cotovelos. E Crizan, que naqueles dias estava sozinho, morava na
última casa, um pouco mais ao fundo do terreno. Marise nunca saía de casa, a não ser para a
igreja do pastor João. Com Tetê joelho varo, Naomi e Lucas. Interessante que
Lucas quase sempre opinava sobre a vestimenta de Marise. Não se sabe se ela
gostava. Ou não daquelas saídas com a família. Nem satisfação com as
observações de Lucas sobre suas roupas. Inculcavam na mocinha a faina de babá
da pequena de olho torto. E ela brincava com a pequena, parecia gostar. Corriam
juntas pelo quintal, a ponto de, às vezes, os seios de Marise pularem
infantilmente e mostrarem-se ao vento tão lindos bicos. Sob o olhar sorumbático
de Lucas, que segurava o queixo amparado na janela. Mas não era só isso, havia
algo subconsciente naquele olhar persistente daquele rapaz. Bom, o fato é que nenhum
bom moço, até então tinha chamado atenção da menina peituda. Crizan pensou na
virgindade de Marise e nos seios de Jamile que tanto manuseou. Depois pensou ao
contrário – só que Jamile não era virgem há anos−. Sobre Marise só saberia,
quem sabe, depois a verdade sobre o selo de ineditismo da mocinha. Disse algo
sobre a terra para a menina se abaixar mais e os seios derramarem a mostra no
ângulo que estava. Marise não prestou atenção à direção do olhar de Crizan. Só
queria mexer na terra e plantar o coentro, a cebolinha, o alho poró e o hortelã
grosso. Mas ouviu as orientações do lobo. Certamente não tinha ideia que era
objeto do desejo. E um lobo solitário na estepe estava à espreita percorrendo
os olhos nos montes dentro do seu vestido. Por isso Lucas dava-lhes ordens, foi
o insight de Crizan enquanto admirava os seios de Marise. Quando olhou ao
redor, para não se sentir culpado, deu com a cara de Lucas que observava a
cena. Crizan acenou para o primo evangélico. Deu uma última olhadela com
apetite nos peitos e se despediu. Lucas dava ordens a Marise inusitadas, a
menina andava de um lado a outro para cumprir o que rapaz ordenava. Sim, era
isso. Lucas queria ter o corpo nu e os seios de Marise. A forma como olhava
para Tetê sem traquejo e sem transpirar excitação não deixava dúvidas que não
havia provocação de desejo carnal entre aqueles dois. Era um casal de casulo.
Mas aquele olhar de peixe morto era na verdade um olhar de gozo. Crizan
imaginou tudo ao ver aqueles seios livres, pontudos, eriçados e de auréolas
raríssima de se ver. Não tinha certeza, mas pareciam mais lindos do que os de
Jamile. Algumas vezes que passava pela porta aberta da casa da mãe Didi, ouvia cânticos
que invocavam a volta de Jesus Cristo. E quase sempre frases de Lucas−sempre
enfiado na cozinha de Didi a aproveitar as guloseimas feitas por Binha com os
produtos todos financiados por Didi− a respeito de guardar o corpo para o homem
certo que Marise reconhecesse o bem que tal homem faria a ela. Marise o olhava
sem elã. Ninguém conhece a certeza. Mas, parece que depois que Crizan tão
escuso admirou o lance dos seios de Marise, ela, sem nunca ter ouvido falar em
brio, esboçava um riso breve e olhava pelos cantos dos olhos. A menina ouvia o
irmão ilusório com os olhos arregalados em simulacro teatral. Só Crizan
percebeu isso tempos depois. Por sua vez, Lucas sentava sempre colado ao corpo
de Marise num extenso banco de cozinha da Casa de Didi para juntos comerem tudo
que se postava à mesa como animais. Ou como a própria Didi falava, não se sabe
se em tom de brincadeira ou de dichote “nossa, vocês parecem que vieram da
etiópia”. Tetê de joelho varo, tão oferecida ao Senhor que nada enxergava no
mundo, muito menos o acontecia ao seu redor – só as palavras do pastor João
todas as noites sobre os caminhos do Senhor-, sentada do outro lado da mesa, ao
lado de Binha, ria com a boca cheia. Uma vez, a criança estrábica, filha dela
própria, disse, enquanto todos faziam troças um a respeito do outro que o peso
da barriga da mãe fez com que suas pernas se curvassem. A gorda riu corada. Crizan
voltou a casa para masturbar-se. Não sabia se pensava em Jamile. Ou nos seios
de Marise bem pontudos. Imaginou então Jamile, seu corpo moreno e sua vagina
linda. Ele sempre falava isso para ela. E os montes pontudos e duros que
balançavam sob a blusa fina que a menina vestia.
3
Jamile
vestida do uniforme azul do hospital segurava Marco Aurélio. Havia colocado luvas
e toca para ter Marco Aurélio nos braços. Foi a primeira imagem das retinas de Crizan ao
entrar no terceiro andar do hospital Santo Amaro. Houve um laivo de
constrangimento. Mas Crizan fez-se bem humorado e olhou Marco Aurélio no colo
de Jamile que ria levemente. Nira gritou de satisfação quando o viu.
−Padrinho...
meu Deus, esse meu padrinho doido, veio ver seu netinho, foi? Devia fazer um
bebezinho com Jamile.
−Ah!
Crizan riu sem graça e não olhou para Jamile que, por sua vez, originou
naturalmente um rostinho de prazer com um breve riso enquanto distribuía
olhares para Marco Aurélio e Crizan quase ao mesmo tempo.
Ficou
constrangido com a sugestão da afilhada. Por outro lado, observou Jamile de
soslaio e surpreendentemente os seios de Marise lhe apertaram a mente. E
lembrou de um comentário da irmã de Lucas, Cida. Sempre visitava a mãe Binha e
conversava principalmente sobre o futuro de Marise. Além de bajular Didi. Cida
era magra alta com um sinal ente os seios. Parecia uma mancha com o formato de
uma máscara teatral, aquela que representa a tristeza. Não era feia, mas Marise
era bem melhor de se olhar. Admirar, certamente. Cida apesar de ter um corpo
modelito não tinha atrativos. Tinha aquele sinal, uma mancha, parecia um, não
sei, alguma coisa já dita, talvez. E um olhar vazio, sem graça e uma
dissimulação muito mal feita. Fora Crizan que também observou isso como um
escritor sedento por nuances humanas. Mas Marise, não. Crizan não sabia porque
pensava nessas outras pessoas. Saiu, de repente daquela viagem e viu quando
Jamile estava olhando em sua direção. Talvez com desejo, enquanto carregava
Marco Aurélio. Parecia querer sussurrar algo no ouvido dele. E conversaram
finalmente entre mimos a Marco Aurélio.
O
comentário de Cida com a mãe foi uma frase rápida que Crizan ouviu no dia
seguinte.
−
Você vai ver coisa se ela passar nos exames para a faculdade.
−
Ai, meu Deus. Vai se afastar dos olhos de meu Deus.
Foi
o que Crizan ouviu quando saía para dar aulas. Ao virar o pequeno corredor, viu
em sua frente Marise entrar e levar a chave ao portão para fechar. Assim que o
avistou. Sorriu. Parece até que propositalmente estufou os seios duros e
pontiagudos. E numa faísca do tempo, como se os átomos de um e outro se
enlaçassem automaticamente, dois pares de olhos tornaram-se cumplices entre si.
Como um silogismo do querer. E distante de qualquer simulacro teatral.
Alguns
dias depois enquanto Binha fazia pé-de-moleque caseiro, para provocar a gula do
doce em Didi. Esse era o motivo principal. Consequentemente alterar o diabetes
da velha avarenta e acelerar sua viagem. E Tetê insistir sobre os sermões do
pastor João. Foram tantas palavras que Marise teve a ideia de levar um pedaço a
Crizan, sozinho em sua casa corrigindo trabalhos dos alunos. Binha nada viu de
maldade naquele gesto nobre. E Marise colocou um vestido folgado, quase
transparente para levar o doce, carregando-o a altura do bico duro dos seios. Com
o coração pulando de excitação e dúvida. Ao mesmo tempo de coragem e medo. E
uma enorme curiosidade de boca virgem. De corpo intocável. Parou em frente à
porta de Crizan e começou a tremer. Olhou a janela de Lucas, estava fechada. Um
vento cheio de libidinagem subiu por entre as pernas arrepiou todo o corpo. Os
seios de Marise pareciam querer pular para fora do vestido. Aquele momento
parecia o complemento da faísca que havia sido atirada nos pares dos olhos
tempos atrás. Sem saber o que havia, Crizan abriu a porta e se deparou com
Marise.
Muito
longe dos olhos do Deus de Binha, Crizan e seu lépido dedo médio da mão direita
massageava a vulva selada da menina e sua língua ardente e desesperada devorava
os seios de Marise.
Carlos
Vilarinho
Abril
2022
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