CECÍLIA DOS ANOS OITENTA
CECÍLIA
DOS ANOS OITENTA
− Ruan, o que é isso?
− Meu pau duro te querendo.
− Ruan.
−Cecília.
− A gente deve isso um ao outro desde 1988.
− Já passou, Seu Ruan.
− E esse riso em seu rosto, Ciça.
− Não tem riso nenhum.
− Moro sozinho aqui, Ciça, não vem ninguém me ver. Só você.
− Não vim aqui para isso. Vista-se.
− Tá bom, Cecília.
− Isso nunca me passou pela cabeça.
− Cecília, só em olhar para você enfiada nesse vestido verde cana
sedoso, dá para perceber que está com as paredes da boceta derretendo.
− Pára, Ruan.
− Olhe só meu pau sessenta anos mais velho e ainda te querendo,
Cecília.
− Ruan vim para conversar sobre seu amigo Antonio Eduardo, meu
marido e muito seu amigo.
− Tá doente, Antoninho?
− Não.
−Então o que é, Cecília?
− Agora...
− Agora, o que?
− Fiquei desconfiada de você.
− Oxe, Ciça. Só porque eu disse que ainda temos tesão desde 1988?
− Rum, você adquiriu umas falas que não lembro serem assim.
− Estou velho e desesperado, Ciça. Mas então fale sobre Antoninho.
− E o que é que tem envelhecer?
− Hum, gostei. Virada de jogo.
− Que jogo, menino!
−Você perguntou sobre envelhecimento... E, não sei, nos
encontramos há uns meses.
− Sim, o que tem a ver?
− Tenho lembrado de nossas chupadas da época.
−Passado, Ruan.
−Eu sei que você também está pensando, Ciça. Você gozou em minha
boca dezenas de vezes. Lembra?
− Ruan... Ai, cheguei a arrepiar.
− Pele macia, bem cuidada, Cecília.
− Eduardo não é como você.
− Claro que não sempre fui ogro.
−Acho que era isso que queria falar, Ru...an.
− Separando sílabas, Cecília, como nos anos oitenta. Lembra?
−Lembrar o que Ruun?
−Enquanto eu te chupava você separava um monte de sílaba, como
pi-ca du-ra...
−Eu não.
−Sim, eu jamais esqueceria um detalhe tão especial de uma mulher
tão especial.
− Antoninho...
− Novamente, Cecília. Antoninho dos interior da Bahia, me
confessou, entre goles de cachaça que nunca tinha comido uma mulher e que
estava apaixonado por você. Aliás, pra não dizer que não comeu, comeu uma
jeguinha que ficou apaixonada. Toda vez que o via na fazenda ela corria pra
junto dele... ói que onda... Me deu vontade de te contar, mas achei que não ia
acreditar. E batia punheta todo dia. Só que eu também estava apaixonado por você,
não disse a ele, claro, mas você sabia. Achei um horror também, mas incentivei
ele continuar comendo a jeguinha, quando fosse gozar pensasse em você. O que
você queria que eu dissesse? Acho que também sugeri que ele te esquecesse e
ficasse na punheta mesmo.
−Ruan, que horror! Você fez isso mesmo?
− Fiz. Ele me disse que batia punheta imaginando você todos os
dias.
−Rai ai
− Você foi e atacou ele, não foi? E agora Cecília caiu na real da
besteira que fez.
− Puxa, quanta dureza em suas palavras, Ruan. Você sempre tentava
ser gentil.
−Ah, desculpe, Ciça, mas o que adianta fazer DR de quase 40 anos
atrás? Você mesma disse quando chegamos, já passou. O importante é a tela da
realidade.
−Posso até cair na filosofia.
−Falou baixinho porque quer algo. Vire o rostinho assim.
− Beijaço esse nosso, não foi, Cecília.
− Ruan!
−O que há de mais um homem de sessenta anos beijar uma mulher de
cinquenta e sete?
− Rai ai.
− Cecília, levamos trinta e oito anos praticamente sem nos ver e
sem nos esquecer. Não é verdade?
− Trinta e quantos?
− Ciça, antes de você fazer a loucura de casar com Antonio Eduardo
perto do natal de 88, lá na casa da porra da linha verde, nós tivemos duas
noites de amor seguidas, não queríamos nos afastar um do outro.
− Sim, trinta e oito anos.
− Você ouviu o que eu disse, Cecília?
− Ouvi.
− Deus meu, seus olhos estão brilhando como estrelas importantes
do céu, Cecília Safira.
− Sua língua roçou o céu da minha boca, sempre fazia isso comigo,
agora foi mais forte.
− É, roçava sempre o céu de sua boca, lembra, Ciça?
− Eu sentia cócegas. Amei uma frase que você disse, Ruanzito.
− Qual?
− “seus olhos estão brilhando como estrelas importantes do céu”.
Quer que eu complete ou deixe assim mesmo? Seus olhos estão brilhantes como
estrelas importantes do céu que buscam a estranheza da noite... Posso dizer
mais, mas agora na entradinha do seu ouvido
” E agora, completando seu rosto branquinho e lindo desde que veio ao
mundo, seus olhos estão lacrimejando e muito mais brilhantes como sua memória a
bolinar seu sexo”.
− Adorava ver você buscar frases para me homenagear.
− Arrepiou, não foi?
− Ai, um pouco.
−Vou lhe contar uma história daquele ano, que rolou com a galera.
Você não sabe, vai saber agora e vai rir pra caralho.
− Conte, Ruanzito, conte. Nossas histórias são memoráveis e
recheadas de humor.
− E você rir pra caralho.
−Já tô até rindo.
−Íamos passar o réveillon em Porto Seguro: eu, Murilo do bugre
vermelho, Vivícius variante, não pergunte o porquê de variante, não sei, já o
conheci assim e Clodovil Perverso. Compramos uma certa quantidade de cocaína
com Julião Pedreira, você sabe quem é também. Fomos para Pituaçu, lá na casa da
porra, onde Variante morava para usarmos do pó. Cada um ia botar um raio. Sabe
o que é raio, né? Antigamente era linha, tect. Etc Doido pelos Stones, Variante
foi botar Exile on mail street. Virou-se pegou o vinil e enquanto colocava na
vitrola gradiente, Clodovil que jamais seria perverso e sim muito bobão, super
bobão, torcedor do Bahia, tirou do bolso o saquinho que já havíamos dividido.
Não se sabe como o saco dele furou, acho que na chave, uma ponta do tamanho de
um dado, caiu no leite do gato de Variante.
− Eu conheci, o nome do gato era Zagallo, não era? Meu, Deus!
Kkkkkkkkkkkk, é verdade isso, Ruan?
− Zagallo, isso mesmo.
− Vocês são doidos, ele morreu?
−Morreu uma porra, Zagallo, fila da puta, de madrugada ele tava me
cheirando pra achar minha bala.
− Achou?
− Uma porra que ele achou.
−Ruan, o que você fez, na hora? Aliás o que vocês fizeram com Clô?
−Murilo se acabou de dar risadas, Julião, balançava a cabeça com o
braço esticado como se mostrasse uma tragédia mundial e dizia que Clodovil
sempre foi puta e eu me servi um red que estava lá, sentei no sofá e bebi o whisky.
No outro dia viajamos, foi massa, foda era toda hora botar um pra Clodovil
viadão. Chega de história, beijo... Seu
beijo continua como antes, tá mais safado, sua língua enrosca mais do que antes
e eu viajo no céu da sua boca.
−Ru...an.
− Seu peito ainda cresceu um pouco, foi a mama, não foi, mainha?
− Maria Antonia mamava muito e ainda comia comida, você acredita?
−Foi normal?
−E eu tenho abertura para normal, Ruazinho?
−Parece apertadinha como há 38 anos. As pernas estão bem roliças,
durinhas... Agora foi mais parecido com nosso beijo de sempre. Permita que eu
lhe dê um super chupão.
−Antoninho, Ruan.
−Porra você tá parecendo Machado de Assis em Missa do Galo que não
deixou o rapazinho comer a coroa. Antoninho, Antoninho ,Antoninho... Meu dedo
médio mergulhado em sua boceta já visguenta.
−Calma, Ruanzito.
−Me ajude a tirar esses panos. Vá Ciça, fica nuazinha pra mim.
− Ru-an-zi-to.
− Adoro esses pelinhos de máquina 1.
− Você gosta, é? Duda nem repara.
−Duda?
− Seu amigo.
− Eu soube que você deu pro taxista que te levava, é verdade?
−É... Ai.
−Seu pinguelinho tá durinho e você encharcada.
− E você, Ru-na-zi-to... pi-ca du-ra... Mete.
− Que boceta linda.
− Mete logo, Ru... Aaaaaahhh... Duro e grosso.
− E a boceta bem apertada, parece que nunca fodeu com Du... Como
foi que fizeram filho, hein! Aquela menina não é de Dudu... Sabia. Ela parece
com o Juiz Jarbas. Você escolhe uns homens... Eu, hein... Coitada de Toninha.
−Aaaaaaahhhh
−De quatro pra mim, Ciça, vá.
− Meu cu, Ru.
−kkkkkkkkkkkkkkk
−kkkkk, vai, meu cu, adoro dar o cu. O taxista comeu meu cu, o
advogado Gilson comeu meu cu, coleguinha de drinks de Dudu, comeu meu cu,
Doutor Jarbas dá sentença favorável a mim depois come meu cu, adoro Ruanzito,
mete em meu cu...
−Não vai dar.
− O que, Ruan?
−Gozei em sua boceta, pra subir gora só dois dias. Doutor Jarbas
dá quantas?
−Ruan.
− Só dou uma mesmo e chupo bem chupado. Tenho 60 anos, Ciça. Foi
bem chupada ou não foi? Dudu nem te chupa. E o doutor Jarbas, juizinho
descarado.
− Será que ele ainda come a jeguinha?
− Quem Jarbas?
− Jarbas come cu e boceta
seu besta...Seduz, seduz, seduz, quando resolvo dar, a pica morreu. Ruan, velho
depravado, sedutor de palavras e broxa. Vá pra porra, Ruan. As porcarias que
você aspira com essas putas.
− Ainda quer que eu converse com Dudu.
− Não. Vou procurar um jegue pra arrombar meu cu.
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