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A SOMBRA DA AMENDOEIRA -texto original e definitivo

  A obra de arte é a criação de um novo mundo. Onde não há necessidade de explicar onde os lugares estão assentados, só a imaginação de cada um explica, ou não, o tudo e o todo. Ainda assim, sem metonímia. E assim, entremos nos ares da Praça Manuel Querino. Ou Largo dos Paranhos. Já houve algumas vezes discussões a respeito da mudança do nome. Manuel Querino era negro e vivia sempre vestido de arte, de educação, de desenho. Participou da criação da Academia de Belas Artes e do Liceu de artes e ofícios da Bahia. Talvez incentivado pelo Liceu de Aristóteles. Por outro lado, depois de pesquisas investigativas, nada foi encontrado sobre a família Paranhos. Só que era rica. Muito rica. De fato, talvez, mereça questionar tal mudança. Mesmo porque onde estão os Paranhos? Moro por ali a sessenta anos e não conheci ninguém com esse nome. No entanto, lá pelos 1980/81 conheci um Antonio Paranhos. Estudamos juntos e ele morava na Barra. É só o que tenho. Faz pensar que já não existia – e nun...

ABAIXO DO VENTRE

    ... e agora Ruan Bocage vai viver com essas indagações pífias sobre a vida    como um filósofo de padaria que deseja pão farofa   nessa larica de maconha palha    homem velho    Aja de acordo aos seus sessenta anos    Sim   com sessenta anos batia punheta todos os dias   Imaginava meio mundo de mulheres fogosas que tive nunca tivera como Sílvia por exemplo   Imaginava a gigantesca   Mariana Imaginava a negra Lúcia que fazia serviços de limpeza pelas casas só não fazia na minha    Lúcia tinha seios duros e bicudos parecia sempre excitada    Imaginava Helena   Helena   Helena    muxoxo    E Sílvia que conheci na internet   Nem tinha tantos atrativos como Helena mas fiquei com um tesão da porra por aquela mulher     Morava nos cambau de Goiás   Era triste   Sem nenhum traço de safadeza   Mas sensual   e não acreditava que...

CASAMENTO NO SUBÚRBIO

  T ito só se casou com Isabela porque o pai lhe deu um ultimato. − Ou você aparece aqui com uma mulher ou vai cair no cacete − seu Luís disse, balançando o braço com os punhos cerrados. Semanas depois, Isabela adentrava a casa, de mãos da­das com Tito, que suava em bicas. A família morava em Ita­caranha, subúrbio ferroviário de Salvador. Seu Luís e dona Miriam fizeram gosto: a menina era agradável, bonita, em­bora tímida, de cabelos escorridos. Ria para se defender. Tito, por sua vez, sempre fora vistoso, numa mistura de claro e escuro − o claro da mãe com o escuro do pai. Seus cabelos eram cacheados. Filho único. Era uma época difícil para o casal Luís e Miriam. Seu Luís trabalhava numa concessionária na Avenida Fernan­des da Cunha, perto dos Mares, na Cidade Baixa, para sus­tentar a mulher e o filho. Mas então os pais de Miriam mor­reram em um acidente na Avenida Suburbana, nas imedia­ções do Lobato. Um acidente horrível, com uma carreta de cimento Aratu. Por isso, seu Luí...

O RISO IRÔNICO DE CHUCK BERRY EM FRENTE AO RELÓGIO DE SÃO PEDRO

  J á é carnaval cidade, dizia a canção dos anos oitenta em Salvador. Na época, as máscaras caiam na foliam e era liberação geral. É lamentável, mas muito dificilmente haverá novos carnavais. Há quem acredite... Bernard só acreditava no seu amor por Laura Caroline que dançava extasiada em cima de um trio elétrico. Confira B ernard não gostava de azeite de dendê. Comia fei­jão, arroz, bife ao molho e ovo frito. Misturava tudo, jogava farinha e molho de pimenta em cima. Quando comia macarrão ao alho e óleo, pedia também bife de caldo ou bisteca de porco assada, sem farinha. Não be­bia nada durante o almoço. No entanto, antes de comer, e também algumas horas depois, adorava beber vinho seco, escutando uma boa música − Blues, Jazz, Rock’n Roll . Co­meçou a ouvir aquilo com Dilton, seu pai, e jamais procu­rou outro tipo de música, o que o transformava num ser estranho aos olhos de grande parte das pessoas que vivia na Baía de Todos os Santos, onde a cerveja, o axé e o dendê imperavam. U...

LAVAGEM DO BONFIM

  Quinta feira, 14 de janeiro, seria a Lavagem do Bonfim. Tradicional festa da Bahia. É praticamente a Lavagem do Bonfim que dá início ao carnaval de Salvador. Infelizmente não iremos agradecer ao Senhor do Bonfim com nossa peregrinação. Não faremos os oito quilometros a pé até a Colina Sagrada, o vírus não deixou. Mas, ainda assim, ele,nosso Santo Sagrado, nos protegerá como sempre protegeu. Em homenagem ao Nosso Senhor publico o conto LAVAGEM DO BONFIM. Escrito em 2011 e que faz parte do livro BACULEJO E ra a segunda quinta-feira do ano novo. Um janeiro de sol escaldante queimava as pestanas e o couro ca­beludo dos mortais na Bahia, na cidade do São Sal­vador. Afonso Henrique vinha de uma noitada regada a pó e Red Label, além de conversas e conjecturas furtivas sobre a existência. Achava a discussão sobre a vida, sobretudo a alheia, sempre inútil, mas era o que escutava nas ruas. Tinha dúvidas se em outros lugares, dentro de uma acade­mia literária, por exemplo, as pessoas també...