ZUCO & ZUCA
Z uco completou cinquenta e quatro anos na última semana. Há cinco, tornou-se alcoólatra, depois de encontrar a mulher debaixo de um jovem universitário que estagiava sob sua égide. Naquele dia, a vida acabava, mesmo com os trinta salários mínimos que ganhava: era coordenador de alguma coisa numa das empresas que compunham o Polo Petroquímico de Camaçari. Respeitado por todos, era, no fundo, um homem só. Até que se apaixonou por Edelzuíta, que carinhosamente passou a tratar por Zuca. Conheceu-a no puteiro da Gameleira, perto da Ladeira da Montanha e da Praça Castro Alves. Bonita, olhos tristes, que pareciam mel, e lábios carnudos, assim como sua vagina de clitóris estufado. Prostituta de porte, esguia, com ancas empinadas e remelexo tentador, além de olhar fatal de quimera. A devoradora de homens prometeu amor eterno e fidelidade. Zuco acreditou. Construiu uma casa com tijolos de vidro entre as paredes que dividiam a sala de visitas da cozinha americana, dois andares, cin...